Quando ninguém me vê, ou "como enfrentar a descida" na nossa carreira.
- Nicolás Mendy de Baeremaecker

- 24 de abr. de 2024
- 5 min de leitura
"Crescer doi"; "É necessário expandir (ou sair de) sua zona de conforto"; "Foguete não tem ré"; "raise the bar"; "be so good they can't ignore you".
Essas são frases que aprendi depois que me tornei um Customer Success Manager. Depois que entrei para as empresas de tecnologia, onde tudo é muito rápido, fora da minha zona de conforto (lugar onde, como para a maioria dos uruguaios, as coisas caminham mais devagar). "Como quem beija o bairro ao ir pisando-o" como diz a música La trama y el desenlace, de Jorge Drexler (uruguaio, lógico).
Assista no Youtube: Jorge Drexler - La trama y el desenlace
Não tem sido fácil. Praticamente há 6 anos atrás eu entrava na minha primeira empresa de tecnologia, nascida como uma startup, e de lá pra cá tudo tem sido de altos e baixos, como a vida em si sempre é.
Só que às vezes a gente esquece.
Todos sabemos que a vida tem altos e baixos. Todos sabemos dar conselhos sobre ciclos, momentos e sentimentos provocados pelas circunstâncias, porém, ao chegar a nossa vez, geralmente a gente esquece ou vive com aquele sentimento de que “não vai acontecer comigo”.

Foto de Susan Q Yin na Unsplash
Quando estamos mal, no momento mais baixo e sombrio, temos a sensação de que o restante da nossa vida vai ser assim.
E quando acontece o contrário, ou temos a convicção de que sempre vamos estar por cima (e nos tornamos descuidados, soberbos ou insuportáveis) ou estamos o tempo todo esperando perder a nossa posição e começar mais uma vez.
Entrar em uma empresa de tecnologia, uma marca consagrada, onde todos querem estar, certamente é um momento memorável, daqueles nos quais conseguimos nos sentir no topo. Pouco depois, quando encaramos a rotina, geralmente se torna um momento de sombras, onde estamos convencidos de que não deveríamos estar aí, de que a nossa máscara cairá e seremos descobertos como os impostores que somos e depois, voltaremos a ter confiança em nós mesmos, nos sentido reconhecidos, apoiados e brilhantes.

E assim, os altos e baixos dessa montanha russa, que mistura curvas, loopings e altura com velocidade, colocam o nosso estômago e as nossas emoções em um liquidificador.
Mas quando você consegue erguer a cabeça e perceber, que na verdade tudo na vida passa, que os momentos são apenas isso (espaços de tempo, com início meio e fim) e que não vamos ficar presos e nem aferrados a um momento, pois todos eles passam, querendo ou não, começamos a lidar com a vida frenética, de uma forma muito mais leve.
Talvez você esteja lendo e não esteja se sentindo identificado. Tudo bem. Eu estou escrevendo desde as minhas próprias experiências. Porém, estou usando o plural porque tenho tido a oportunidade de compartilhar experiências com outros CSMs e muitos vivenciam as mesmas experiências, anseios, inseguranças e desilusões, quando precisam enfrentar os momentos difíceis da profissão.
Os momentos mais difíceis que tenho compartilhado com colegas de Customer Success são, dentre outros:
O início da carreira: mudança de área, adaptação ao novo, entrar numa corrida a ritmo acelerado, “subir no foguete” ou “trocar o pneu com o carro andando”.
Não conseguir acompanhar o ritmo dos outros: Quando são mais experientes do que nós na empresa, tudo bem. Agora, quando são mais novos do que nós ou entraram com a gente, pode ser desesperador. Parece que você deveria se preocupar apenas com o seu ritmo de desenvolvimento, enquanto é julgado pela demora.
Uma nova oportunidade: mudar de empresa, de equipe, de nível de serviço ou carteira de clientes.
A descida após o topo: quando alcançamos reconhecimento, premiação, promoção, etc e depois passamos por uma época de descida, onde perdemos o nosso brilho e saímos do holofote.

Sendo assim, hoje quero falar um pouco sobre a descida:
A pior parte da descida, é sentir que você está se afastando do topo. Que você está “regredindo”, perdendo altura, jogando fora todo o seu esforço para alcançar aquele pico. Porém, existem diversas circunstâncias a serem levadas em consideração nesse momento:

Logo - Sucesso do Atendente
Será que você está descendo efetivamente a montanha? Ou está apenas avançando conforme o percurso pede, para chegar ainda mais alto? Sabe por que o logo do Sucesso do Atendente é uma montanha? Porque assim como o nosso caminho até o sucesso tem altos e baixos, o caminho até o topo da montanha não é linear, de uma inclinação única e nem sempre estamos subindo.
Se você efetivamente está descendo, cada vez mais longe do topo daquela montanha que tanto tempo levou para escalar, será realmente que nunca mais você vai ter a chance de voltar ao topo, ou será que você está apenas fazendo o caminho para o plano a fim de se dirigir rumo ao seu próximo desafio: uma montanha maior ainda que a anterior e para a qual você não estaria preparado se não tivesse subido a primeira?
O importante é chegar ao topo ou percorrer o caminho? Será mesmo que alcançar o topo é mais importante do que escalar a montanha? Eu falei sobre isso antes e quero te recomendar este artigo: https://www.sucessodoatendente.com.br/post/o-caminho-e-a-recompensa
Se permitir estar longe do topo, deixar de ser destaque e abrir espaço para outros brilharem, não fará de você menor do que eles.
Na verdade, não devemos estar o tempo todo brilhando, para não queimarmos até as cinzas. Devemos saber viver cada momento.
Brilhar e estar no topo, com humildade e prontos para estender a mão a quem está subindo e depois descer, em paz e com a consciência tranquila, buscando respirar para encarar o nosso próximo desafio.
Muitas vezes colocamos os outros em pedestais, o brilho deles parece nos ofuscar, a sua capacidade, brilho e presença nos fazem sentir inferiores, mas o que não percebemos é que a maioria das vezes isso é apenas uma perspectiva nossa. Temos por defeito a tendência a achar os feitos dos outros, infinitamente mais relevantes do que os nossos. Ou então, sofremos com inveja (pode usar outras palavras mais suaves, mas todas vão apontar à inveja) e focamos em colocar a culpa no sistema para que outras pessoas brilhem mais do que a gente, mesmo não fazendo “nada demais”.
Mas o meu convite hoje é para que a gente possa desprender-se desses sentimentos. Tanto aqueles que nos fazem pensar que somos inferiores, que estamos arruinados por descer a montanha e estarmos cada vez mais distantes do topo (mesmo que ele seja apenas um ponto de descanso na montanha e não o topo em si), quanto daqueles que nos fazem pensar que o mundo conspira contra nós e que jamais brilharemos ou voltaremos a brilhar, como sim o fazem os outros.
Estar longe dos holofotes nem sempre é uma má notícia. Não estar em destaque, exposto, sendo notado e referenciado, nem sempre é um sinal de derrota. Muitas vezes é um espaço que estamos recebendo para cuidar de nós, para desfrutar vendo os outros brilharem e para desfrutar do simples fato de poder tirar o pé do acelerador.
Não precisamos, nem deveríamos desejar estar sempre em destaque, avançando em um foguete que não tem ré, gritando a todo pulmão, enquanto pulamos, abrimos umas cervejas e comemoramos mais uma meta (que amanhã, estará em zero, distante e exigindo de nós resiliência e simplicidade).
Encontre um ritmo confortável e avance.
Talvez você esteja subindo ou descendo, mas não esqueça do mais importante: você está avançando, mesmo quando ninguém vê.
E quer saber? As vitórias interiores, aquelas que só a gente sabe que alcançou, tem um sabor e um brilho diferentes, porque ninguém sabe as nossas batalhas.
Ame-se e boa jornada.





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