Entre o Turnover e a adrenalina de (re)começar: Vale a pena você mudar de emprego hoje?
- Nicolás Mendy de Baeremaecker

- 10 de ago. de 2022
- 6 min de leitura
Atualizado: 2 de ago. de 2023
Para quem é mais old-school como eu, o turnover (um indicador que mensura a quantidade de funcionários que deixam uma empresa durante um determinado período, segundo este artigo do blog da Zendesk) pode ser algo assustador.
Eu venho de uma "linhagem" de pessoas que trabalhavam para permanecer nos seus postos de trabalho até a aposentadoria.
Talvez mais por necessidade do que por desejo, mas era como uma meta de vida.

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Eu particularmente nunca permaneci tanto tempo quanto a minha mãe, por exemplo, que trabalhou por quase 30 anos na mesma empresa. Porém, sempre senti que pelo menos devia ficar um ou dois anos num emprego para começar a colher alguns frutos.
Hoje, trabalhando em uma empresa de tecnologia, com cara de startup, muita gente bem mais nova que eu entra num ritmo feroz e ávidos por crescimento.
Em alguns momentos isso chega a intimidar com respeito ao próprio crescimento e à minha capacidade de evoluir no tempo dos outros. Mas aí lembro que cada um de nós precisa evoluir no seu tempo e à sua maneira e fico me sentindo melhor.
Mas hoje quero falar sobre o turnover.
Muitas vezes vemos no Linkedin, pessoas anunciando o final de um ciclo e o início de outro.
Dessas, umas tantas são de pessoas que encerraram o primeiro ciclo antes de completar o primeiro ano e com grandes chances de repetir o repertório na nova etapa e nas próximas.
Eu, como todo trabalhador old-school, sentia que não fazia sentido alguém ter um currículo com 6 meses em uma empresa, 8 em outra, 4 numa terceira e assim por diante.
Até hoje eu não fico confortável com isso, mas creio que para muitas empresas e recrutadores, isso apenas faz parte.
Só que hoje eu quero compartilhar uma ideia com vocês sobre a alta rotatividade de pessoas, especialmente a galera mais nova, em empresas com perfil acelerado de crescimento.
Sobre a experiência de trabalhar numa empresa de crescimento acelerado
Quando entrei na RD vinha de uma empresa que já havia sido uma startup e que, naquela época, estava começando a se comportar como uma empresa tradicional.
Lá eu cumpri o "sonho" de trabalhar numa daquelas empresas onde somos rodeados por vidro, trabalhamos lado a lado com a alta gestão, dividimos uma cerveja no final do expediente e podemos trabalhar de pantufas.

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Mas quando a RD me convidou para participar do processo seletivo em seguida pensei:
Será que vale a pena mudar? Será a RD uma empresa como esta, onde o brilho e glamour é limitado a alguns times e de onde saímos esgotados todos os dias, sem perspectivas de crescimento saudável?
Na dúvida, perguntei quem estava lá dentro. Fiz algumas investigações e embarquei no processo. Enquanto ele rolava a curiosidade aumentava e ao ser chamado para começar na RD, só fui compreender a dimensão de onde estava entrando depois de passar pelas boas-vindas e conhecer a minha equipe (Pumas) no distante dia 08 de abril de 2019.
Como você pode ver, escrevo como uma pessoa que ainda permanece tempo no seu lugar de trabalho e isso é tão raro numa empresa com este perfil que quando alguém completa 5 anos de casa já é chamado de Dinossauro. O que seria a minha mãe então, com quase 30 de casa... haha.
Voltando para a experiência de trabalhar numa empresa com um ritmo acelerado de crescimento:
É comum você ver que pessoas ao seu redor (com menos tempo de casa do que você) recebem prêmios por performance, por serem exemplo de cultura, são chamadas para representar a empresa em palestras, são convidadas ou aprovadas para ocuparem cargos superiores e são constantemente promovidas a estágios maiores que os iniciais nas suas próprias funções.
Também é comum ver pessoas mudando de área ou deixando a empresa com dois anos, um ano ou até menos de casa, para iniciar novos ciclos.
Diante desse cenário muitas vezes senti que eu estava estagnado e que outros membros da equipe estavam se desenvolvendo de forma muito mais rápida do que eu.
Porém, o que precisei foi entender que cada um de nós tem o seu ritmo e que enquanto estivermos comparando o nosso ritmo ao colega ao lado, estaremos sempre presos a expectativas equivocadas ou terminaremos seguindo um caminho que não é o nosso.
Sobre perceber a realidade do turnover como um desafio
Quando você encontra no seu modelo de negócio, uma aceleração contagiante, que leva as pessoas que trabalham para a sua organização a olharem para o mercado fora e pensarem em sair de forma precoce, a tendência é evitar investir demasiado neles.
Porém, eu gosto de uma frase do Henry Ford que diz:
"Só há uma coisa pior do que formar colaboradores e eles partirem. É não formá-los e eles permanecerem"
De qualquer forma, um desafio que todo time de TM tem pela frente em cenários como este, é a retenção de talentos.
Reter estes talentos apesar de saber que não há espaço para todos serem coordenadores, gerentes ou diretores. Que não há espaço para todos ocuparem os cargos sonhados, sejam eles quais forem.
Aí, para aqueles que vivem nesse ritmo de crescimento acelerado, a grama do vizinho é sempre mais verde.
Eu desde que passei a trabalhar em empresas de tecnologia, me questionei o que leva profissionais em pleno desenvolvimento a mudarem de empresa.
A recomeçar, mesmo em plena etapa de construção e consolidação do seu conhecimento na job e de construção da sua cadeira.
Seria inocência ou ganância?
Aí, parando de forma genuína para analisar, tive uma percepção, que talvez não seja real para todos, mas pode ser sim para você. Por isso decidi escrever a respeito. Para contribuir com o seu raciocínio se por acaso você está procurando mudar de emprego.
Veja se faz sentido para você:
A adrenalina do (re)começo
Como é gostosa a etapa de iniciar numa empresa.
Se for uma empresa incrível, onde os profissionais brasileiros sonham em trabalhar, mais ainda (a RD estava em 11º lugar nesse ranking, segundo Linkedin).
Muitas empresas, especialmente de tecnologia, oferecem experiências incríveis ao trabalhar, com benefícios do famoso "salário emocional".
Já pensou em poder trabalhar em lugares como Google, Facebook (Meta), Microsoft, Spotify, Linkedin, Nubank, etc?
E se uma startup, com a mesma pegada bater à sua porta? Será que não é hora de pular fora do seu atual emprego e viver essa experiência? Mergulhar num (re)começo como esse?
E se por acaso você estiver em uma delas e uma outra vem te procurar? Será que ainda assim vale a pena?
Para muitas pessoas a resposta é sempre SIM.
E qual fator motivacional pode levar você a abrir mão de uma posição conquistada para uma nova, na qual (como toda nova posição) você ainda precisará se consolidar?
Bem, desde o meu ponto de vista a resposta é a Adrenalina.
Muitas vezes o fato de sentir o prazer de ingressar pela porta da frente de uma dessas grandes e afamadas empresas tem peso maior do que o fato de precisar sair da empresa onde você está.
Ainda mais se você acredita que após um ano trabalhando sem direito a ser promovido, pode ser motivo suficiente para se sentir estagnado.
Claro que colocar um nome brilhante e reluzente no seu currículo pode ser de por si um grande motivo. Porém, será que passar pelas empresas como quem visita uma feira de negócios, coletando "carimbos" por onde passa, é uma forma saudável de crescer na carreira?
O seu crescimento será sólido ou um mero castelinho de areia?

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Não estou aqui para te julgar, muito pelo contrário. Estou aqui para me julgar, o que já é muito trabalho, esforço e dedicação.
Estou aqui apenas para te ajudar a refletir sobre.
Talvez ir para a empresa vizinha, porque a grama dela é mais verde, nada mais faça com que você fique mudando de gramado cada vez que a grama debaixo dos seus pés começa a amarelar ou a sumir.
Mas lembre, assim como nos campos de futebol mais tradicionais dessa CONMEBOL da vida, a grama que menos cresce é a da pequena área. Isso apenas porque o goleiro passa os noventa minutos pisando nela, enquanto que a do resto do campo sofre o mesmo desgaste, mas também não oferece o mesmo conforto (de saber qual é o seu lugar no jogo).

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Se você está pensando em mudar, reflita:
Realmente esta é a melhor hora?
Lembre que ao chegar numa nova empresa você precisará trilhar todo um percurso que, na atual, já ficou para trás.
Que ao começar a sua jornada num novo time, você precisará se adaptar a um novo grupo de pessoas, com todas as nuances que isso apresenta.
Que construir uma reputação dentro da empresa será também parte desse recomeço e que todos os momentos onde você se sentiu pouco valorizado ou lutou contra o impostor que mora em você, certamente virão mais uma vez à tona.
Não quero te assustar, só quero que você pense antes de agir.
Se você pensou, recapitulou e após a sua avaliação, mudar, ainda faz sentido (e não é apenas um desejo inconsciente por adrenalina) vá!
Bem-vinda seja a mudança, que não nos tira da nossa zona de conforto, mas nos leva além para ampliá-la. Como você pode ver neste artigo do blog da Letícia Hasselmann.
"Como a gente faz então para lutar contra essa tão sedutora zona de conforto: aí é que está o segredo! Não lute contra! Se tentarmos viver eternamente fora dela, será um grande sufoco! Morreremos de exaustão! O que fazemos então? Nós EXPANDIMOS nossa zona de conforto! Nós aumentamos esse território onde nos sentimos confortáveis e com capacidade de agir."
Um abraço!









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