top of page
Buscar

Maternidade em Revenue (CS/CX) e no mundo corporativo. Especial Dia das Mães.

  • Foto do escritor: Nicolás Mendy de Baeremaecker
    Nicolás Mendy de Baeremaecker
  • 13 de mai.
  • 16 min de leitura

Para celebrar o Dia das Mães, este ano decidi pedir ajuda a mulheres que conciliam a carreira em Revenue (CS e CX) com a maternidade. 


Desde o meu ponto de vista, qualquer pessoa sem limitações físicas, pode ser pai ou mãe (biologicamente falando), mas é tão complexo ser pai e mãe que para qualquer um, mesmo com as maiores intenções, isso se torna o maior desafio das nossas vidas. 

Ter filhos e uma carreira, precisa de muito esforço, dedicação, banda mental e apoio, mas não dá pra comparar o que um homem, por mais bem intencionado que ele seja, passa ao tentar equilibrar carreira e paternidade ao que as mulheres vivem dia a dia. 


Não vou aqui entrar em debates ou cenários mais profundos, pois há muita dor e história para ser contada nesse processo. 


Mulheres que precisam trabalhar com o coração na mão sem ter certeza de como os seus filhos estão, enquanto elas estão longe de casa por horas e horas. Mães que passam mais tempo com os seus filhos dormindo do que acordados e outras que passam mais horas no dia cuidando e ensinando os filhos de outras mulheres, sem conseguirem fazer o mesmo pelos seus. 


Mas fora os cenários mais evidentes, o que acontece onde tudo parece ter dado certo? 


Quais são os desafios de mulheres bem-sucedidas, com posições de destaque em um mercado altamente competitivo? 


A proposta do artigo de hoje é essa: 


Como a maternidade molda a carreira de uma mulher de sucesso? 

Para isso, conto com a participação riquíssima destas mulheres, mães e profissionais incríveis: 

Danielle Fukushima: Head de Atendimento & Customer Experience na Livance 


Erika Lopes: C-Level l Board Member l Investidora l Mentora Endeavor | Palestrante 


Larissa Jesus: Coordenadora de Customer Success Growth na RD Station/TOTVS 


Lilian Landvoigt da Rosa: Coordenadora de Customer Success Growth na RD


Renata Alves: Head de Customer Success na Soft Trade 


Vivian Toledo: Head de Customer Success na Exato Digital 


Assim como no ano passado, em ocasião do Dia da Mulher, eu publiquei uma entrevista com 10 mulheres e cada uma delas respondeu a 8 perguntas, a dinâmica deste vai ser similar, porém cada uma das 6 mulheres entrevistadas respondeu a 5 perguntas. 


A seguir, você fica com as respostas de cada uma delas a estas 5 perguntas:



1. Como a maternidade potencializou sua capacidade de gestão da ambiguidade no dia a dia com os clientes e colaboradores?


Danielle Fukushima: 

A maternidade pra mim é um sinônimo de resiliência e também de raciocínio rápido. Quando tudo acontece ao mesmo tempo, as ações e sentimentos se tornam conflitantes, a maternidade me ensinou a ver a visão de “fora” da situação e pensar rápido para tomar uma decisão. A mediação de conflitos e interesses divergentes acaba se tornando mais “fácil” quando você aprende a se colocar fora da situação.


Erika Lopes: 

Gostei que você usou o "potencializar", no meu caso fui exposta muito cedo na minha carreira a ambientes bastante ambíguos, organizações matriciais e grandes mudanças, sofri um pouco, mas entendi a importância de tirar o ruído das conversas, a fazer perguntas que tragam o foco para o core do que precisa ser resolvido; e no meu caso trouxe esse aprendizado para a maternidade, não deixando que o ruído ou pequenas questões tomem uma dimensão maior do que deveriam ter, e na dúvida sempre perguntar "o que realmente precisamos resolver agora? 


Estamos todos em acordo que é essa a prioridade? Temos o que precisamos? Quem fica responsável por o que? - ah essa é uma parte importante, qual é o papel de cada um no todo....ou seja, no meu caso realmente a necessidade prática de gestão diária de situações ambíguas na maternidade potencializou e trouxe cada vez mais consciência para o tema no ambiente corporativo.


Larissa Jesus: 

A maternidade transformou minha gestão da ambiguidade ao substituir a procrastinação por um filtro de essencialidade estratégica: como a rotina com uma criança é imprevisível, aprendi a priorizar o que é crítico imediatamente, garantindo entregas de alto valor independentemente de imprevistos. Essa experiência também me trouxe uma objetividade analítica mais aguçada, permitindo-me discernir com clareza os níveis de responsabilidade de cada stakeholder e alinhar expectativas com clientes de forma mais pragmática. Acima de tudo, a vivência da parentalidade compartilhada quebrou o paradigma da centralização; ao confiar na minha rede de apoio pessoal, amadureci minha capacidade de delegação e liderança distribuída, compreendendo que o sucesso de um projeto, assim como a criação de um filho, reside na coordenação eficiente de talentos e papéis, e não no esforço individual sobrecarregado.


Lilian Landvoigt da Rosa: 

Para mim, gerir a ambiguidade é ter clareza sobre o propósito, saber o que é prioridade e manter um norte enquanto navegamos em cenários incertos. Nada no mundo ensina isso com tanta intensidade quanto a maternidade. Com ela, nasce um amor gigantesco e um propósito que transborda, mas o "mar" onde navegamos é o mais desafiador possível.


Você aprende a cuidar e entregar o seu melhor mesmo quando a rotina, o corpo e a mente mudam drasticamente da noite para o dia. Cada mês do desenvolvimento de um bebê traz um novo desafio, e o desgaste físico nos testa até o limite. Mas é justamente esse amor e o senso de propósito que nos trazem de volta, nos instigando a recalcular a rota com calma e resiliência.


Aprendi que, assim como nos saltos de desenvolvimento dos nossos filhos, as maiores evoluções muitas vezes surgem justamente dos períodos de maior incerteza. É o meu lado 'mãe' que hoje diz para o meu lado 'líder': respira, ajusta a rota e vai, porque o propósito é maior que qualquer imprevisto.


Renata Alves: 

Maternar, na minha experiência, é a gestão mais humana que podemos praticar. Minha maternidade é baseada na confiança, sinceridade e liberdade para ser. Com esses 3 pilares me tornei uma líder com maior escuta ativa e com mais cuidado e respeito na hora de agir. 

O mesmo se aplica aos clientes, que trazem suas dores a partir da vivência de quem contrata um serviço e, muitas vezes, precisam ter a visão de quem presta esse serviço. Nos 3 âmbitos meu papel é acalmar os ânimos, analisar a situação com cuidado e agir de maneira resolutiva sem diminuir a dor que me é trazida.


Vivian Toledo: 

A maternidade me trouxe três coisas que mudaram muito minha forma de trabalhar: senso de urgência apurado, praticidade e uma noção de tempo completamente diferente. Você aprende a cuidar de várias coisas ao mesmo tempo sem perder o fio de nenhuma delas. E desenvolve um ritmo próprio, você sabe que tem uma janela pra entregar, e entrega. Porque logo vem o próximo ciclo. No trabalho, isso se traduz em mais foco, mais agilidade e muito mais intenção no que você faz.



2. Como ser mãe influenciou sua visão sobre liderança e mentoria de outros profissionais de CS/CX?


Danielle: Me influenciou de forma muito profunda. A maternidade, assim como a mentoria/liderança é um guia, uma orientação, quase o “grilo falante”, onde somos uma voz de sugestão, de ponderação, e às vezes, claro, de direções claras, mas funciona melhor quando não é imposto. 


Assim como com meus filhos, os liderados precisam entender o motivo das coisas, desenvolver o pensamento crítico e refletir sobre as consequências de suas ações sobre si e sobre outras pessoas.


Erika: Ah, aqui tem dois elementos que me vêm à mente de cara! O primeiro é que cada indivíduo e situação são únicos, então não tem receita que funcione para todos em qualquer momento, mesmo estando em um mesmo ambiente, com os mesmos valores, respeitar a individualidade, buscar entender o contexto antes de reagir ajuda a potencializar o que cada um tem de melhor. 


Outro ponto é a máxima que as pessoas aprendem muito mais por exemplo do que por palavras, a relevância de ter discurso e prática alinhados é essencial, quando você dá um direcionamento, mas não demonstra o mesmo em atitudes você perde credibilidade, e sem confiança não existe time, isso vale em casa e no trabalho - penso todos os dias se estou dando um bom exemplo para os meus filhos, pois sei que é isso que fica, em se tratando de liderança, vale o mesmo.


Larissa: A maternidade influenciou profundamente minha visão de liderança e mentoria ao me permitir traçar analogias entre os marcos de desenvolvimento infantil e a evolução de carreira em CS/CX, compreendendo que cada profissional possui seu próprio tempo de maturação e compreensão. 


Na Andragogia (recomendo todo profissional de CS saber sobre essa ciência) temos a busca por usar das experiências prévias, mas ao ser aplicado em relação a minha nova percepção de 'maturidade' me fez trocar de fornecer orientações prescritivas e detalhadas, a adotar uma postura que privilegia a autonomia. 


O foco é que o mentorado  alcance as próprias conclusões de forma orgânica. Essa abordagem é muito mais edificante e estratégica, pois substitui a simples execução de instruções pela construção de um raciocínio crítico sólido, garantindo que o colaborador desenvolva a independência necessária para atuar com excelência e protagonismo.


Lilian: Lembro de uma fala do Marcos Piangers sobre os filhos, fazendo uma analogia a sementes que viram árvores e como nós, pais, precisamos aprender a melhor forma de nutrir e cultivar cada uma na sua individualidade. A maternidade refinou meu olhar para o outro; hoje, sou muito mais atenta aos detalhes que tornam cada liderado único, respeitando o tempo e a identidade de cada um.


Aprendi que os processos e as pequenas evoluções diárias são muito mais valiosos do que a busca por uma perfeição estática. No dia a dia de CS/CX, isso é libertador: entendi que o meu jeito de fazer as coisas não é o único — e, muitas vezes, nem é o melhor para aquela pessoa ou aquele cliente. Essa diversidade é maravilhosa e criativa; ela nos apresenta o inédito e soluções que eu jamais encontraria sozinha.


Meu desejo na maternidade ou liderança (porque em ambos, é uma construção constante) não é 'moldar' pessoas, mas sim aprender a criar o ambiente seguro para que elas floresçam. Se em CS buscamos a empatia com o cliente, a maternidade me ensinou a aplicar essa mesma dose de humanidade e paciência com quem está ao meu lado. Quero aprender a guiar sempre com afeto, celebrar cada 'primeiro passo' e entender que, tanto na criação de um filho quanto na gestão de um time, o sucesso não é sobre controle, mas sobre confiança e cultivo.


Renata: Eu aprendi a deixar o ego de lado e perceber que muito do que o time traz não é sobre mim, mas sobre o que eles sentem e as expectativas que carregam. Saber olhar para o outro com atenção e respeito à sua bagagem de vida é valioso e a maternidade me ensinou a olhar a liderança dessa maneira.


Vivian: CS/CX é uma área que lida com pessoas o tempo todo…com expectativas, emoções e situações que mudam a todo momento. Você precisa estar presente, saber ouvir, ter paciência e ainda ser resolutiva. A maternidade treina exatamente isso, todo dia. Então quando fui desenvolvendo minha visão de liderança e mentoria, percebi que as profissionais que mais cresciam na área tinham justamente essas características. Não é coincidência.



3. A inteligência emocional exigida na maternidade mudou a forma como você lida com crises no trabalho?

Danielle: Sim, e por incrível que pareça, as crises no trabalho tornaram-se mais “fáceis” de serem resolvidas. Sou mãe de duas crianças pequenas, o jogo de cintura e didática para explicar, respirar e transmitir o conhecimento para elas é infinitamente mais complexo, pois estão em pleno desenvolvimento social e emocional. 


Com isso conflitos do trabalho, com pessoas mais maduras, acaba sendo algo mais "simples”, pois mesmo quando não estou diante de pessoas com certa maturidade profissional, tenho mais recursos para explicar e gerenciar crises.


Erika: Bastante, já na gravidez, ou eu diria até no processo de tentativa de engravidar, a gente já entende a limitação de controle, e é forçada a refletir e se adaptar constantemente a necessidade de lidar com essa falta de controle em diversas situações, e perceber que o que faz a diferença é como reagimos, velocidade e qualidade na adaptação. Outro elemento constante é a necessidade de priorizar, de dizer mais "nãos" para focar no que é realmente essencial em cada momento.....ah e fora a máxima de ter paz com os pratinhos que caem e tudo bem, pois não estão na lista dos essenciais.


Larissa: A maternidade redefiniu minha inteligência emocional ao substituir a busca pela perfeição pela clareza dos meus inegociáveis e pela aceitação de que a vida, assim como as crises, é orgânica e não linear. 


Ao abrir mão do controle absoluto, um grande gerador de ansiedade, passei a encarar os desafios com mais serenidade, apoiada no meu repertório e nas "milhas" de conhecimento que acumulei e que validam minha senioridade. Hoje, entendo que minha atuação executiva não precisa ser onipresente, mas sim resiliente e esforçada, encontrando um equilíbrio onde o prazer pelo que faço e a independência financeira que conquisto atuam como reguladores emocionais essenciais para lidar com imprevistos sem perder o foco no que realmente importa.


Lilian: Com toda certeza. A maternidade é, essencialmente, um treinamento intensivo de inteligência emocional sob pressão. A primeira grande mudança é o ganho de perspectiva: situações que antes pareciam crises catastróficas no trabalho ganham uma nova dimensão quando você aprende a lidar com a vulnerabilidade e a responsabilidade de cuidar de um bebê recém nascido. Você entende que erros acontecem, e que o segredo não está na busca por uma perfeição inexistente, mas na rapidez e na humildade de reconhecê-los e buscar a melhoria contínua.


Essa jornada trouxe para o meu dia a dia uma escuta ativa e empatia mais aguçadas. Na maternidade, a gente aprende a decifrar os diferentes 'tons de choro' e compreende que nem todos pedem a mesma resposta. No ambiente corporativo, isso se traduz em entender que um colaborador ou cliente pode estar manifestando uma frustração que, na verdade, é um pedido de ajuda, de clareza ou apenas de validação. Passei a ler as entrelinhas emocionais com mais precisão.


Hoje, minha liderança é guiada pelo equilíbrio. Assim como na maternidade, busco perceber o momento de oferecer um suporte mais próximo e o momento de incentivar o time a confiar no próprio potencial e caminhar com autonomia. É como aquele incentivo que damos aos primeiros passos: estamos ali por perto, vibrando e dando segurança, mas permitindo que eles descubram sua própria força.


Renata: Com certeza. Hoje me sinto pós-graduada em inteligência emocional, rs. A maternidade parte da comunicação com uma pessoa que ainda não sabe se comunicar. São diversas fases de mudança, quando você acha que pegou o jeito, aquela pessoinha evolui e surge com novos sentimentos que nem ela conhecia. Passar por essas fases sabendo controlar os sentimentos traz um baita resultado na rotina do trabalho.


Vivian: Sim, e muito. A maternidade te dá uma régua diferente pra medir o que é uma crise de verdade. Quando você coloca na balança, a maioria dos problemas do trabalho tem solução e uma solução bem mais simples do que parece. Uma conversa, um ajuste, uma mudança de rota já resolve. Não é minimizar os desafios, mas é ter clareza sobre o que realmente merece energia e o que você consegue contornar com mais leveza.



4. A gestão do tempo na maternidade mudou a maneira como você gerencia o tempo no trabalho?

Danielle: Totalmente. Primeiro me fez entender que as coisas coexistem. Duas coisas urgentes podem continuar sendo urgentes, mesmo quando você opta por fazer uma delas primeiro. Sendo assim, não só a gestão do tempo, mas a gestão de crises e prioridades também foi um aprendizado que a maternidade “refinou”. 


Hoje costumo dizer que faço mentalmente a “Matriz GUT - Gravidade, Urgência e Tendência” de tudo o que precisa ser resolvido, em casa e no trabalho, e assim a gestão do tempo fica menos caótica.


Erika: Uhmm, aqui foi mais uma questão de adaptação no meu caso, eu sempre tive meu pico de produtividade no período da tarde/ fim de tarde, e principalmente quando as crianças eram pequenas, tinha que buscar na escola, banho, jantar, etc....quando precisava fazer um trabalho que exigisse muita concentração, passei a deixar para fazer quando a casa ficava em silêncio, não era sempre, não acho saudável uma rotina com "terceiro turno" diário, acho importante tempo de lazer ou de ócio, mas fiz as pazes com essas exceções entendendo o que funciona bem para mim.


Larissa: A maternidade transformou minha gestão de tempo ao me dar a clara percepção de que "os dias são longos, mas os anos são curtos", o que me levou a substituir a procrastinação por uma produtividade de alta intensidade. Hoje, não considero aceitável desperdiçar horas com tarefas irrelevantes, pois entendo que cada minuto de ineficiência no trabalho é um minuto subtraído da presença mental que desejo ter com minha filha. 


Essa consciência me tornou muito mais disciplinada e estratégica: busco a máxima eficiência durante o expediente para garantir que, ao encerrar o dia, eu possa estar genuinamente disponível para viver as descobertas da infância sem angústias ou resquícios de demandas pendentes. 


Assim, a gestão do tempo deixou de ser apenas sobre cronogramas e passou a ser sobre priorização de valor, focando no que realmente gera impacto para que o equilíbrio entre a carreira e a vida pessoal seja sustentável e prazeroso.



Lilian: Completamente. A maternidade nos obriga a desenvolver um foco inabalável: o expediente precisa ser o espaço do 'imprescindível', porque as 'horas extras' agora têm nome, sobrenome e um sorriso que é o meu maior propósito. Isso me tornou uma profissional muito mais assertiva e objetiva; eu aprendi a fazer o tempo render de forma estratégica porque cada minuto conta.


No entanto, a grande lição não é apenas sobre o relógio, mas sobre a adaptabilidade. A gestão da agenda é uma construção viva e complexa, que lida com imprevistos constantes — desde uma febre inesperada até uma mudança de última hora em um projeto. A carga mental é imensa, pois não gerencio apenas a minha pauta, mas orquestro toda a logística de uma vida que depende de mim: consultas, escola, rotinas e o bem-estar da casa, tudo isso acontecendo em paralelo ao mundo corporativo.


Essa 'multitarefa consciente' me deu uma visão muito clara do que é essencial. Hoje, busco constantemente o equilíbrio de todas as demandas com presença e qualidade, entendendo que ser produtiva é estar inteira em cada papel que desempenho. Sei que gerenciar toda essa complexidade com leveza é um desafio diário e um aprendizado constante, mas é o meu objetivo.


Renata: Eu aprendi a valorizar as horas de trabalho e as horas fora dele. Focar nas minhas 8h diárias garantem que eu possa viver minha maternidade quando o dia termina. 


A consequência foi perceber que o foco me deu mais tempo de qualidade com a minha filha e melhorou minhas entregas.


Vivian: Totalmente. Você aprende a usar o tempo com muito mais inteligência. A estar presente no que está fazendo, a virar a chave rápido entre uma coisa e outra, a não desperdiçar o tempo que tem. 


A maternidade ensina na prática que tempo é finito e precioso e isso muda completamente como você organiza sua agenda, prioriza o que importa e entrega resultado.



5. Qual o seu conselho para as empresas que ainda dificultam o desenvolvimento da carreira de mulheres por se tornarem mães? (exemplo: não contratar mães ou gestantes, pagar menos para mulheres, evitar elevar mães a cargos de liderança ou demitir mulheres após o fim da licença maternidade)


Danielle: Meu conselho é: Melhorem! rs. Por mais complexo que seja mexer em pré conceitos estruturais, acredito que já passamos da hora de falar abertamente sobre o tema (sim, existem cada vez mais pessoas que trazem, mas ainda há os omissos, e historicamente são os omissos que decidem o quanto as coisas mudam ou não). 


Mulheres com filhos têm o dobro de estímulo, motivação e engajamento, porque nada preocupa mais uma mãe do que pensar que não terá condições de prover para seu filho o mínimo possível, e isso por si só mostra o quanto nos dedicamos ao outro. 


Para empresas que só visam o lucro, entendam que as mulheres, pelo mesmo motivo (prover para seus filhos) estão 100% dispostas a fazerem o negócio dar certo, mesmo porque muitas só depende delas mesmas para sustentar uma vida, não só no sentido físico, mas mental e emocional. Empresas, nunca subestime uma mulher com um filho no colo!


Erika: Acho que conselho não resolve, pois é uma questão cultural, se a alta liderança não entender o tema como prioritário, não buscar equilíbrio entre prioridades de curto e longo prazo, e não agir como agente de mudança (e voltamos a importância do exemplo) não vai.... 


Fazer uma ação no mês da mulher ou das mães, mas não mudar as ações no dia a dia, para desenvolver e promover liderança feminina, não move ponteiro. E é uma grande miopia, diversos estudos apontam impacto em inovação, gestão de pessoas e por consequência em resultados para empresas com maior equidade de gênero na liderança.


Larissa: Meu conselho para as empresas é que compreendam que não existe profissional mais comprometida do que aquela que encontra, na sua vida pessoal, um propósito inegociável para a sua excelência no trabalho; a parentalidade atua como uma combustão de automotivação que eleva a entrega a outro patamar. 


É urgente que as organizações parem de penalizar mulheres por uma responsabilidade que deveria ser valorizada socialmente, combatendo o viés que exalta homens como "pais de família" enquanto questiona a competência de mães. Em um cenário onde muitas mulheres sustentam suas famílias sozinhas, invalidar sua carreira é um retrocesso humano e estratégico, pois as empresas que não acolhem a maternidade perdem líderes resilientes e extremamente focadas. 


O verdadeiro crescimento corporativo virá de estruturas que incentivem a responsabilidade compartilhada e enxerguem a parentalidade não como um custo, mas como um ativo de maturidade e compromisso.


Lilian: Essa é uma discussão tão profunda que poucas linhas mal dão conta da urgência do tema. Para as empresas que ainda hesitam, o primeiro conselho é olhar para os dados: apoiar a parentalidade não é 'caridade', é estratégia de negócio. Estudos da McKinsey e do BCG mostram que empresas com diversidade de gênero e suporte à maternidade têm ROI de até 425% em benefícios de retenção e são significativamente mais lucrativas. Perder uma mãe talentosa por falta de acolhimento é, acima de tudo, um prejuízo financeiro e intelectual para a organização.


Mas, para além dos números, quero trazer a perspectiva humana. Todos nós viemos do útero de uma mulher e, muito provavelmente, alguém se dedicou intensamente nos nossos primeiros anos para que tivéssemos condições de chegar à fase adulta. Se hoje somos profissionais saudáveis e produtivos, é porque houve investimento de tempo, amor e cuidado lá atrás. Como sociedade, não podemos desejar crianças felizes e saudáveis se, ao mesmo tempo, punimos as mulheres que estão na linha de frente desse desenvolvimento.


Meu conselho final é: tornem-se parte da solução. Quando uma empresa dificulta a carreira de uma mãe, ela está fragilizando o futuro de todos nós. É preciso entender que a licença-maternidade e o desenvolvimento de uma mãe na liderança não são interrupções, são investimentos no capital mais valioso que existe: o humano. Afinal, como diz o provérbio, 'é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança' — e as empresas, como parte vital dessa aldeia, precisam decidir se serão o solo que nutre ou o obstáculo que impede o crescimento.


Renata: Meu conselho é que elas avaliem melhor os ganhos com mulheres que escolhem seguir suas carreiras mesmo com a maternidade. 


Olhar para um dia em que essa mulher se ausentou para levar o filho ao médico e não analisar os ganhos que um time pode ter ao trabalhar com uma pessoa que aprende todos os dias sobre inteligência emocional, trabalho em grupo e capacidade multitarefas é não olhar para crescimento saudável a longo prazo.


Deixo aqui a provocação de que não deveríamos ver com bons olhos homens que são pais e nunca precisam se ausentar para cuidar da rotina de saúde ou educação de seus filhos.


Vivian: Essas empresas ainda estão olhando pro lado errado. Elas enxergam a mãe pelo que ela pode precisar, olham a possibilidade, como sair mais cedo se o filho ficar doente e ignoram tudo que ela entrega com certeza antes disso e tudo que ela vai continuar resolvendo quando chegar em casa. 


Gestão de tempo, produtividade, visão de longo prazo, organização, capacidade de lidar com várias frentes ao mesmo tempo — essas são habilidades que o mercado inteiro quer hoje, e são exatamente as que a maternidade desenvolve em velocidade acelerada. Meu conselho é: coloquem isso no papel. Parem de olhar pro que a mãe pode custar e comecem a enxergar o que ela vai entregar.



Que entrevista fantástica, quantas reflexões importantes. 


Espero que tenham gostado tanto quanto eu desta leitura. 


Nos vemos no próximo artigo.


Um abraço.

 
 
 

Comentários


bottom of page