Produtividade: Quando dar 100% de si, o tempo todo, não é a solução.
- Nicolás Mendy de Baeremaecker

- 29 de jul. de 2021
- 4 min de leitura
Atualizado: 27 de jul. de 2023
Uma vez ouvi de um amigo, Guilherme, um arquiteto fora da curva, esse conselho que trago hoje e que se faz cada vez mais importante.
Parece que quando pensamos em produtividade, a premissa é dar tudo de nós mesmos, o máximo de tempo possível, para nos tornarmos exemplos a serem seguidos.
Quando Simone Biles, provavelmente a maior ginasta da história (pelo menos até Tokyo 2020), desistiu de participar na final do individual geral dos Jogos Olímpicos (que ficaram marcados na história pela ausência de público, o atraso de um ano e a obrigatoriedade de máscaras e testes), levantou um alerta que entre as pessoas comuns e no ambiente corporativo estava latente, porém, continuava sendo tratado com receio e por debaixo dos panos. Como quem varre a sujeira para debaixo do tapete, ou como quem esconde um defeito imperdoável e vergonhoso.
O ano passado (2020), todos precisamos enfrentar uma situação para a qual ninguém havia nos treinado. Eu, em uma condição privilegiada consegui manter o meu emprego e ainda desempenhar as minhas tarefas desde casa, mantendo um regime de Teletrabalho, o famoso Home-Office. Mesmo assim, diante do cenário de instabilidade mundial, das constantes notícias negativas e o persistente ambiente de caos e catástrofe, acabei por enfrentar alguns medos difíceis de serem superados. O nível de autocobrança elevado, aliado a um ambiente hostil e desconhecido, somado ao bombardeio negativo que parecia não ter fim provocou, por exemplo, que eu me encontrasse chorando no meu quarto, em uma segunda-feira, pressionado pela minha própria cobrança, pelo medo a perguntar como estavam os meus resultados e como a minha gestão avaliava o meu desempenho até aí, pois eu considerava pífio tudo que estava fazendo.
Apesar de chorar por falta de resultados na segunda-feira, dois dias depois estavam anunciando que eu era o destaque do trimestre em resultados.
Pois é, eu me cobrando tanto, com medo de perder o meu emprego (por não falar com ninguém, dando ouvidos ao medo e à autocobrança exacerbada) e a empresa, celebrando os meus resultados.

A partir desse momento percebi que seria necessário compreender melhor quem eu era, o que eu podia entregar, e especialmente parar de medir o meu esforço com uma vara diferente que a que utilizava para medir o dos outros.
Explico: quando qualquer colega, todos na RD Station súper talentosos, o melhor time de Customer Success do Sul do Mundo, premiado pela Gainsight como um dos melhores do mundo.
Veja o reconhecimento ao lado: Voltando, quando qualquer colega comete um erro, não bate uma determinada meta, etc, o meu julgamento é justo e coerente com tudo que ele entrega sempre. Porém, quando eu errava ou não entregava, o meu julgamento era massacrador, exagerado, desproporcional. Então me abatia, mesmo sem levar em consideração todos os fatores externos e levava o meu emocional ao extremo, sem necessidade. Esse nível de autocobrança, normalmente florece em lugares bons para se trabalhar, com perspectiva de futuro e carreira. Por quê? Porque cansados de sermos cobrados de fora de forma desproporcional, quando encontramos um lugar que nos acolhe e nos oferece uma oportunidade real, não queremos perder ele. Porém, nós mesmos nos tornamos aquilo que não queríamos mais das empresas anteriores, nos tornamos os nossos próprios carrascos, e nos açoitamos, sem necessidade.
Então, para impressionar e chegar a obter os melhores resultados sempre, durante meses ou até mesmo anos, passamos a dar de nós mesmos 100% da nossa capacidade, o tempo todo.
Bem, não posso dizer que sou contra de dar 100% da sua capacidade em algo que você ama, em um lugar onde você quer crescer e permanecer. Porém, o problema não é dar 100% e sim em fazer isso o tempo todo.
É humana, psíquica e fisicamente impossível manter esse nível, o tempo todo.
E num contexto mundial, como o que estamos vivendo, menos ainda.
Por isso quero compartilhar com você o conselho que recebi do Guilherme Bello (aliás se precisar de um arquiteto fora da curva, pode falar com ele por aqui):
Não trabalhe dando sempre 100%, e sim 80%. Se você der sempre 100% não terá nada a mais para entregar quando a empresa ou a sua equipe precisar de você um extra.

Vez por outra precisamos dar um gás na rotina. Entregar algo a mais, para alcançar uma meta desafiadora, para auxiliar um colega, assumir novas responsabilidades e desafios ou até para atender um cliente em caráter de urgência.
Se você já dava 100%, de onde tirará energia para fazer algo a mais?
E se você responder "eu darei 120% de mim", tenho uma notícia para você: isso é matematicamente impossível. Em outras palavras, é uma bonita frase, mas que na vida real não representa nada.
Você só terá algo a mais para entregar, se ainda não tiver entregado tudo de si.
Agora para ir me despedindo, quero deixar uma dica que me ajudou muito de lá pra cá.
Crie com os seus colegas o hábito de compartilhar, toda sexta-feira, três coisas nas quais você mandou muito bem na semana.
Esse exercício que a minha colega Larissa Oliveira batizou de "Checkout do bem" me obrigou a parar toda sexta-feira, para olhar para trás, revisando a minha semana, as minhas entregas e enxergar o meio copo cheio.

Faça esse exercício e depois me conta. Nunca mais você vai sair pro final de semana achando que fez pouco, que poderia ter sido melhor, que não tem dado o suficiente de si mesmo. Ah, e por último, saiba fazer pausas, tirar cochilos, tomar um bom café no meio da tarde, parar para ouvir os pássaros, abraçar quem está perto (se estiver em casa), pegar um sol no rosto e sentir a vida acontecer. Este tipo de pausa é revigorante e deixa você mais produtivo. Parar para se recarregar não é perder tempo, é ganhar. É renovar a sua energia.
Dê sempre o seu melhor, desde que dar o seu melhor, não signifique dar tudo de si.
E se sentir que precisa desacelerar, tudo bem. Cuide de você, por favor.
A empresa onde você trabalha, pode substituir você em uma semana.
A sua família não.








Comentários