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Propósito na carreira: o bilhete dourado.

  • Foto do escritor: Nicolás Mendy de Baeremaecker
    Nicolás Mendy de Baeremaecker
  • 2 de fev. de 2023
  • 6 min de leitura

Atualizado: 2 de ago. de 2023


Charlie do filme A Fantástica Fábrica de Chocolate segurando o bilhete dourado
Charlie acha o bilhete dourado no filme "A fantástica fábrica de Chocolate"​ (Charlie and the Chocolate Factory)
"Não, nós não vamos. Uma mulher me ofereceu 500 dólares pelo convite. Aposto que vale até mais.
Precisamos mais de dinheiro que de chocolate". Disse Charlie para a família ao apresentar o bilhete dourado para visitar a fábrica de chocolates Wonka.
"Meu jovem, vem cá" disse um dos avós.
"Existe muito dinheiro por aí, e imprimem mais a cada dia. Já este convite, só existem cinco deles no mundo todo e nunca mais vai existir. Vai ser burro de trocar isso por uma coisa tão comum quanto dinheiro? Me diz, você é burro?"


Não vou romantizar a pobreza. Já passei meses do frio inverno uruguaio sem luz, tendo que esquentar água em panelas para poder tomar banho. Também já escolhi tomar banho com água gelada, mesmo com temperatura ambiente abaixo dos 10º C, pois não tinha mais paciência em minha adolescência para esquentar uma panela de água e passar por aquele ritual de banho.



Mulher com jaqueta de frio, as mãos dentro das mangas, cachecol e máscara cirúrgica, caminhando na rua num dia frio em Montevidéu Uruguai
Frio no Uruguai


Venho de um lar onde as dificuldades econômicas foram muitas, por muito tempo. Essa pobreza e o sofrimento que ela depositou sobre mim, me fez adquirir hábitos que demorei muito tempo para perder.

Trabalhei em diversos empregos desde os meus 15 anos. Sempre buscando contribuir em casa e conquistar alguma independência financeira básica.

Busquei me tornar alguém que fosse reconhecido pelo seu trabalho. Fiz isso com design gráfico, mas sempre fui mediano. Consegui viver de design, mas não preencheu o meu desejo.

Todos sabemos que não sou (nem fui) um jogador de futebol famoso. Também não consegui ser músico. Nada que exigisse de nós dinheiro seria possível realizar, mas também eu não tinha muita vontade de procurar além, pois a minha perspectiva parecia ser cada vez menor e nada que fizesse me levava além.

Tentei produzir uma revista de qualidade, quando já era pai, mas ninguém viu valor em meu trabalho ou retorno financeiro a curto prazo.

De verdade, tenho alguns exemplares em casa e fico orgulhoso do que consegui fazer com os recursos que tive na época.

Mas depois de alguns fracassos comecei a me rotular como aquele que só sabe fracassar.

Não falava da boca para fora, para fazer os outros me passarem a mão na cabeça, como quando era novo e queria chamar a atenção. Eu só falava para os meus amigos e não aceitava um olhar diferente do meu. Eu tinha total convicção: era um fracassado.

Depois de muito sofrimento e condições de vida que ficaram no passado, eu decidi que iria trabalhar em algo que me desse dinheiro, mesmo que não gostasse tanto assim.

Eu sou graduado em Marketing. Jamais tinha pensado em fazer essa graduação. Havia pensado em ser professor de Literatura ou História. Também em ser Jornalista ou algo relacionado.




Mas o Marketing me prometia crescer financeiramente, além de entender como poderia fazer o meu negócio decolar. Pelo menos eu pensei que conseguiria quando comecei a faculdade.

Ao receber o meu diploma, já com 38 anos de idade e dois filhos pequenos, passei de "futuro do país a problema da sociedade" (como diria um amigo meu).

De estudante a desempregado. Na real eu estava trabalhando de forma autônoma com a minha esposa, mas de maneira informal, pois formalizar era impraticável.

De qualquer forma, já havia começado a estudar por conta própria cursos livres, correr atrás de conhecimento prático. O primeiro curso que fiz foi na eduK: "Facebook para negócios | Prof. Liliane Ferrari".

Apliquei o meu conhecimento em trabalho orgânico para nosso empreendimento, para o de um amigo no Uruguai e para outros amigos em Floripa.



Imagem de Story do Instagram da Mary do Céu
Imagem da capa do blog da Mary do Céu

Depois, enquanto trabalhava como auxiliar administrativo de uma empresa familiar, mantinha o blog da mesma e buscava (e conseguia) atrair clientes de maneira orgânica.

Até que entrei a trabalhar em uma das mais famosas Startups do Brasil. Uma que apresentou uma nova forma de comprar produtos e depois serviços.

Que se reinventou, mas que durou até a pandemia. Enfim, entrei para trabalhar em Call Center internacional, mas com os olhos fixados no que pudesse aparecer de vagas internas para marketing. A ideia era estar dentro para ter chance de começar a minha carreira oficialmente.

Uma chance apareceu, mas eu fui mal no processo. Outra apareceu, mas não gostaram de mim... outras não apareceram mais.

Um certo dia, comecei a me questionar: onde eu deveria fazer carreira? De verdade. No que eu era bom? Onde eu me sentia cumprindo algo que me motivasse? Independente de se desse dinheiro ou não...

A minha resposta foi: Atendimento ao cliente.

Eu gostava mesmo era de poder ajudar as pessoas. De me preocupar de verdade pelas suas necessidades e fazer elas sentirem que alguém havia se importado com elas e que essa pessoa se importaria com ela fosse dentro ou fora daquele comércio. Por uma relação comercial ou não. Talvez no meio da rua, quando precisasse de ajuda, num dia de chuva, num momento ruim.

O problema é que eu não podia falar que queria fazer carreira em atendimento ao cliente. Atendente tem que atender rápido e obedecer. De preferência não deve ter pretensões de crescer e não deve questionar a autoridade, pois não é pago para pensar...


Não são vozes da minha cabeça. Todas essas são frases corriqueiras em empresas que subestimam completamente o poder do atendimento humanizado.

Eu decidi em meu coração que faria carreira em entregar melhores experiências aos meus clientes.


Eu decidi que faria aquilo que me motivava de coração a levantar da cama todo dia, a encarar jornadas cansativas e a aprender centenas de coisas novas, pois estavam diretamente ligadas ao meu propósito.


A partir dessa decisão, Deus me abriu uma porta nova. Ele tinha aberto as anteriores, cada uma com o seu propósito e nesta, o propósito dele era que eu descobrisse e formalizasse o meu.


Atualmente, você pode ler a minha missão profissional em meu perfil no LinkedIn:

[PT] A minha missão:

Auxiliar pessoas e empresas, no MUNDO TODO, a melhorarem o relacionamento entre marcas e clientes.

[ES] Mí misión:

Apoyar personas y empresas, en TODO EL MUNDO, a mejorar el relacionamiento entre marcas y clientes.

[EN] My mission:

To help people and companies, ALL OVER THE WORLD, to improve the relationship between brands and customers.


"Auxiliar pessoas e empresas, no MUNDO TODO, a melhorarem o relacionamento entre marcas e clientes."

Não é uma frase para venda do meu perfil. É uma frase para me lembrar de em qual direção estou caminhando.

O propósito, assim como a utopia, serve para caminhar.




Hoje, posso dizer que a mudança de atitude diante dos desafios gerais do mundo do trabalho (neste sistema capitalista, selvagem e voraz) trouxe seus benefícios econômicos sim. Consegui melhorar muito meus ingressos e investir nos estudos da minha esposa e na expansão do meu conhecimento formal também.

Mas isto apenas como um resultado natural ao fazer com dedicação e empenho ímpar tudo que este desafio de ser melhor a cada dia em atendimento ao público me exige.

Me dedicar a entregar sucesso a clientes. Melhorar a cada dia como profissional, aprender a sofrer e chorar sozinho, a erguer a cabeça e continuar porque o propósito é maior que a dor e o tropeço, tem sido essencial. Aprender a chorar na presença de colegas ou líderes e deixar claro que farei tudo que está ao meu alcance, também.

Mas fazer tudo isso lembrando que é um propósito profissional e que nada é maior ou mais importante que o bem-estar da minha família, a minha relação com Deus e a minha saúde mental é vital.

Os frutos de todo este esforço são uma melhor remuneração sim, mas também o reconhecimento da comunidade de CS com o prêmio de Top 100 CS no mundo (pela SuccessHACKER), os depoimentos de pessoas próximas e colegas de trabalho que me conheceram primeiro pelo meu trabalho nesta [news de CS] e depois por coincidirmos na RD Station.


Mas talvez, um dos mais emblemáticos, tenha sido o reconhecimento de uma colega de CS que recebi por mensagem privada:

Hey Nicolás! Your free advice on CSM has been *super* helpful to me while actively in the job hunt, so thanks for sharing! 🎉 I'm transitioning into the tech space from neurology specialty pharmaceutical sales, and was hoping we could connect :)

(Ei Nicolás! Teu conselho gratuito sobre o CSM tem sido *super* útil para mim enquanto estava ativamente na caça ao trabalho, então obrigado por compartilhar! 🎉 Estou fazendo a transição para o espaço tecnológico das vendas de especialidades farmacêuticas da neurologia, e esperava que pudéssemos nos conectar)

Recebi essa mensagem este mês de Julia Rockwell, formada na University of Connecticut e que trabalha atualmente numa empresa na Carolina do Norte.

Esta mensagem vem justamente para dizer que estou caminhando na direção certa. Impactando pessoas em qualquer lugar do mundo.

Ah, e lembra que falei que o primeiro curso livre que fiz foi "Facebook para negócios | Prof. Liliane Ferrari"? Bem, posso dizer que não só tenho uma foto com ela, mas posso encontrar ela onde for e receber um abraço genuíno da sua parte, e isto também o devo a me expôr e a querer cumprir um propósito de impacto.



Fotografia com Liliane Ferrari no RD Summit 2022 após a sua palestra
Foto com Liliane Ferrari no RD Summit 2022

Então, o propósito se tornou o meu bilhete dourado. Aquilo que não posso trocar por dinheiro.

Voltando ao início: não vou romantizar a pobreza, mas também não a riqueza.

Tem coisas que só o dinheiro soluciona, mas o dinheiro obtido por perseguir o teu propósito é um bálsamo.

Já o dinheiro obtido pelo propósito de enriquecer, jamais será suficiente.

E você? Se todos os empregos do mundo pagassem o mesmo salário, você trabalharia na sua atual profissão ainda?

Qual o seu propósito?

 
 
 

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