Unidade entre as equipes: por que é vital para minha empresa e como podemos conseguir ela?
- Nicolás Mendy de Baeremaecker

- 25 de mai. de 2021
- 7 min de leitura
Ao diminuir o atrito entre departamentos as empresas não ganham apenas em harmonia, mas em produtividade.

Um dos problemas que vejo com maior frequência em empresas de diversos segmentos e tamanhos é a falta de comunicação efetiva entre os departamentos.
Esse problema não é recente e é uma situação que atrapalha muito o desenvolvimento de empresas, a melhoria de processos, o descobrimento de talentos e a melhor exploração dos recursos, especialmente os humanos. E esta condição se dá quando os times criam ao seu redor muros se atrincheirando para defender o seu trabalho como um time unido, que se conhece e se apoia na luta diária contra os “departamentos opressores”.
Então, o que podemos fazer para derrubar esses muros e construir pontes entre os times? Como facilitar a comunicação entre eles e promover a unidade?
Vou tentar responder essas perguntas, com base em minha experiência pessoal, nas próximas linhas.
Como a falta de unidade entre os departamentos prejudica uma empresa?
Bom, de forma resumida e simples, posso dizer algo bem óbvio para começar: uma empresa cujos departamentos estão divididos perde forças como conjunto, tempo de produção (seja qual for o trabalho a ser desenvolvido), provoca retrabalho e cria microclimas independentes que absorvem as necessidades da empresa desde visões diferentes.
A unidade de uma empresa traz a ela a unificação do discurso, do propósito, da cultura e dos seus valores. Quando cada integrante se sente parte integrante do seu departamento mais do que da empresa em si esse trabalho se perde e não conseguimos focar como um único time com um propósito central.
Vou explicar de forma um pouco mais detalhada os pontos acima:
1. O retrabalho se dá quando alguém evita ou explicitamente se nega a consertar um erro que veio do setor anterior, fazendo com que o processo produtivo paralise até que o setor responsável pelo erro o conserte. Ou pior ainda, quando o setor não fica atento a possíveis erros e faz a sua parte sabendo que se o produto ou serviço for produzido ou executado de forma equivocada a raiz de uma erro em outro setor a culpa não deverá cair sobre ele e sim sobre um setor com o qual ele não tem afinidade.
2. Os microclimas dos quais falei são formas de pensar e sentir o trabalho da empresa. Cada setor cria o seu e então assume as diretrizes da direção da forma que entende melhor, sem estar focado em como isso impactará de forma positiva ou negativa os departamentos que estão na linha produtiva ou que compõem a empresa de outra forma. Além disso esse ecossistema único acaba produzindo a sensação de que eles devem focar no que o seu departamento deve fazer, independentemente se os outros irão se agradar ou não.
3. A falta de espírito de equipe acaba fazendo com que cada time defenda o seu trabalho e o coloque por cima dos outros como sendo a mais importante de todas as funções a serem desenvolvidas na empresa, colocando os interesses do departamento inclusive por cima dos interesses da empresa como um todo.
Por que isso acontece?
Antes de continuar, gostaria de repetir o que disse no início: que pela minha experiência tenho percebido que essa situação se repete em empresas dos mais variados segmentos e tamanhos.
Não precisa ser uma empresa grande para ter divisão entre os departamentos. Pequenas empresas, onde os departamentos são os chamados de “euquipes” também sofrem muitas vezes com essa falta de unidade.
Então, por que isso acontece? Bem, o que tenho visto é que os setores são unidades, onde (independentemente do tamanho) os membros se unem em rotinas agitadas, longas jornadas e exaustivas missões na busca do resultado esperado.
E isso é ruim por acaso? Claro que não.
O problema é que essa união da equipe do departamento, que se dá de forma natural por horas de convívio, com dedicação de todos para um propósito conjunto, onde os membros também podem trocar experiências pessoais, tanto referentes ao trabalho quanto à sua vida fora dele, não se repete de setor para setor, apenas dentro deles. Isso acontece, desde o meu ponto de vista, porque os departamentos não tem intimidade uns com os outros. Mesmo em empresas pequenas.
Todos podem se conhecer pelo nome, saber o que o outro faz e participar de todas as reuniões gerais um do lado do outro, porém, enquanto um departamento não sentir na pele o que o outro sente não terá a capacidade de pensar o seu trabalho desde o ponto de vista do impacto que ele causa ao conjunto como um todo.
As pessoas veem os departamentos como locais fechados, portas escuras com uma plaquinha nelas dando nome ao que se passa lá dentro e dessa forma é mais fácil você atacar algo que aparentemente não tem vida.
É muito mais fácil você se sentir identificado com o teu time de trabalho que são pessoas reais, que estão ao teu lado todos os dias, que compartilham contigo sonhos, frustrações e desafios do que fazer isso com “uma porta”.
Do mesmo modo, o inverso também é real. É muito mais fácil você ignorar as necessidades, e as boas intenções; reconhecer os esforços, os sacrifícios e as conquistas de “uma porta” do que da sua equipe de trabalho.
Como podemos fazer acontecer uma melhoria diante desse quadro?
Você pode optar por criar ambientes únicos, retirando paredes e portas (se possível), mas pode ir para saídas mais fáceis de serem aplicadas, como reuniões de time, happy hours para confraternização, organizar feedbacks estruturados entre departamentos, apresentar um membro de cada equipe em cada nova reunião geral, documentar processos entre departamentos com o conhecido Service Level Agreement (SLA).
Uma das saídas mais efetivas é criar vínculos reais entre os departamentos e seus integrantes. De maneira formal você pode investir em treinamentos de imersão para que todos os membros da empresa conheçam o passo a passo do processo produtivo. Desde as decisões da criação, passando pelos desafios do marketing, as funções de departamentos administrativos e toda a cadeia produtiva, não apenas como um passeio pela empresa, mas como uma imersão mesmo, conversando com gestores e membros das equipes para entender onde eles sentem o impacto de como as necessidades chegam até eles até como eles resolvem problemas ou como ele enviam para frente sem perceber o impacto que isso pode causar no final da linha de produção.
Essa imersão pode se tornar o treinamento oficial de todo recém-contratado para que ele já entre no seu departamento olhando para a empresa como um todo, mas especialmente deve ocorrer entre os membros atuais da equipe.
Para que esse exercício impacte mais ainda, busque montar times de imersão mistos, com uma pessoa de cada time e dedique pelo menos uma hora para estar em cada departamento. Isso promoverá a integração e a visão mais ampla à hora de analisar o resultado do exercício.
Existem outras formas de promover integração entre times, claro, você pode ser criativo. Mas acredito que o importante é manter o propósito de criar conexões pessoais, para que os departamentos deixem de ser apenas nomes de setores e passem a ser pessoas conhecidas, “rostos amigos que se esforçam a cada dia, tanto quanto eu a fazer esta empresa funcionar para que todos consigamos manter os nossos empregos, atender os nossos clientes e crescer ainda mais”.
Afinal, uma empresa em expansão tem cada vez um teto mais alto, criando novos cargos para atender novas necessidades e aqueles profissionais que trabalham para fazer ela crescer certamente serão impactados positivamente por essa expansão.
E se você está lendo este artigo e faz parte de uma pequena empresa, adapte esse formato de imersão para que em um dia vocês consigam rever os processos de cada setor e entender como as decisões de uns impactam no dia a dia dos outros.

E como essas melhorias podem impactar a sua empresa?
Como expliquei antes, a proposta da imersão tem como um dos principais benefícios substituir “as portas” por pessoas, com nomes, sobrenomes, histórias, desafios e principalmente rostos. Parece algo simplista mas essa alteração na visão faz com que os colaboradores das diferentes equipes não vejam mais uma sala fechada (um ser inerte ou um rival) por trás de um pedido ou de um erro, mas consigam enxergar um colega de trabalho com o qual conversam a diário, trocam ideias de melhorias e compartilham feedbacks de forma recorrente, estruturada e positiva.
Olhando para o que lemos até aqui podemos perceber que os benefícios da promoção da integração entre equipes de trabalho são, essencialmente:
a. Construir um único time, mais entrosado;
b. Conseguir melhoria na qualidade da comunicação;
c. Unificar o discurso e o propósito da empresa;
d. Preocupação real com o resultado do trabalho como um todo e não apenas com a sua etapa no processo;
e. Melhoria real de processos de passagem entre departamentos. que impactem positivamente nos resultados da empresa.
Entre outros benefícios que se desprendem desses que acabei de apontar.
O propósito de todas estas práticas e ideias que tentei compartilhar de forma estruturada com você é, no final das contas, abrir o seu olhar para essa realidade comum nas empresas que tanto tem atrapalhado o desenvolvimento de ações em conjunto, a busca por resultados e metas únicas e a construção das melhores práticas para o benefício mútuo.
As empresas que conseguem ter equipes unidas suportam a pressão de forma mais natural nos momentos difíceis, conseguem melhores resultados e se tornam mais humanas, fazendo com que os membros despertem, em si, o sentimento de pertencimento.
Desta forma acredito que cabe às lideranças romperem as barreiras ou muros que separam os departamentos, criando vínculos e conexões mais humanas para que voltados todos a um único propósito, o trabalho flua de maneira natural em um ritmo do qual todos se sentem parte integrante e importante, e para o qual trabalham como uma unidade orgânica que precisa de cada membro para se manter funcionando.
Recomendo assistir este vídeo no canal da RD Station no Youtube para maior compreensão:
Por último, gostaria de dizer que, situações como as descritas em este texto, me levaram a pensar na necessidade de criar uma consultoria de sucesso do cliente, com foco em treinamento para sucesso do cliente e para sucesso do atendente. Caso você esteja passando por isto, fale comigo. Vamos marcar um bench. Abraço e obrigado por ler até aqui!







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